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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

PT VAI ACABAR COM CRECHES PUBLICAS ??

Fim da verba à alimentação

Colapso na educação infantil


Conforme a lei 11.494/07, o governo federal não enviará mais o subsídio para crianças entre 4 a 6 anos. Com isso, é possível que muitos pequenos fiquem sem estudar no próximo ano.

27 de Setembro 
Os pais que possuem filhos com idades entre 4 a 6 anos, matriculados em Centros de Educação Infantil de instituições filantrópicas privadas podem não conseguir realizar a rematricula para o próximo ano letivo. O motivo disso é a lei federal que retira da União a obrigação de auxiliar estas escolas com recursos. O impacto da medida pode ser grande, especialmente em cidades onde a prefeitura dependa deste tipo de instituição para suprir a demanda.

Conforme a lei 11.494/07, lei, o governo federal continuará a repassar os
valores do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para custear o ensino de crianças de zero a três anos. Contudo, os pequenos com idade entre quatro a seis anos não vão mais receber o subsídio.
Caberá aos pais e as entidades filantrópicas entrarem com esta contrapartida. Para muitas famílias e instituição, isto é impossível de ser feito. Em Tubarão, por exemplo, existem crianças cuja alimentação é feita exclusivamente na escola, já que as condições da família não é boa do ponto de vista financeiro.

O presidente da Associação de Promoções e Educação Tubaronense (Aproet), Waldemar Colonetti, avalia a lei como inconstitucional. "Essa regra fere o direito de que todas as crianças de zero a seis anos tenham acesso a creche. Não repassar recursos para as entidades manterem essas crianças é o mesmo que colocá-las na rua", avalia Waldemar.
Hoje pela manhã, um encontro entre representantes de entidades de Tubarão, o Ministério Público e o prefeito Pepê Collaço (PSD) está marcado. O objetivo é definir um valor a ser repassado pelo município às instituições, para que consigam manter estes alunos matriculados no próximo ano.

Um ano difícil

Este ano, algumas entidades da região não realizaram a matrícula de crianças entre quatro e seis anos porque já previam a situação. Em Tubarão, a Associação de Promoções e Educação Tubaronense (Aproet) atende cerca de 230 crianças nesta faixa etária e não recebe mais os recursos governamentais para isso.

Assim como a Aproat, outras entidades que aceitaram os alunos chegarão ao fim deste ano com dificuldades financeiras. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) paga, hoje, cerca de R$ 0,60 para a alimentação de cada criança de zero a três anos.

Segundo o presidente da Aproet, Waldemar Colonetti, as entidades contam com o apoio dos pais. "Encabeçamos esta luta contra esta grande injustiça. Vamos conseguir fechar o ano graças ao apoio dos pais, que realizaram várias doações de alimentos para que seus próprios filhos tenham o que comer na creche", lamenta



http://www.notisul.com.br/n/ultimas/colapso_na_educacao_infantil-37793

domingo, 28 de agosto de 2011

REI DO POVO DO BRASIL

DOM OBÁ - PRÍNCIPE DO POVO.

Nos meados do século XIX a cidade do Rio de Janeiro se tornou a maior metrópole africana do hemisfério ocidental.  Uma grande comunidade negra que revelou como as identidades étnicas de "Nação", criadas pelo tráfico negreiro, eram capazes de ser recriadas pelos africanos a partir da correlação de forças e conquistas dentro deste próprio quilombo urbano.
Este era o tempo em que viveu Cândido da Fonseca Galvão, ou melhor, Dom Obá II D'África, um líder popular afro-brasileiro das ruas do Rio, pioneiro do movimento da negritude e da luta pela igualdade racial no Brasil, que atuou no período de transição da escravidão para a Abolição.
Filho de africanos forros, brasileiro de primeira geração, era, ao mesmo tempo, por direito de sangue, príncipe africano, neto, ao que tudo indica, do poderoso Aláàfin Abiodun, o último soberano a manter unido o grande império de Oyó na segunda metade do século XVIII.
Dom Obá (que quer dizer "rei" em iorubá) nasceu na Vila dos Lençóis, no sertão da Bahia, por volta de 1845.
D. Obá se alistou e lutou na Guerra do Paraguai (1865-70), de onde saiu oficial honorário do Exército brasileiro, por bravura. De volta ao país, fixou residência no Rio, onde era tido pela sociedade de bem como um homem meio amalucado, uma figura folclórica e era, ao mesmo tempo, respeitado e reverenciado como um príncipe real por escravos, esfarrapados, libertos e homens livres de cor que viviam nesta África carioca.
Amigo pessoal do Imperador D. Pedro II, assumiu papel histórico importante no processo de Abolição, pois era o elo entre as elites do poder monárquico e a massas populares.
Dom Obá desenvolveu um pensamento alternativo da sociedade e do próprio processo histórico brasileiro. Talvez pelo conteúdo mesmo de suas idéias, talvez por sua linguagem crioula, dosada com alguns toques de iorubá e mesmo latim. Apesar de seu discurso ter parecido opaco, incompreensível para a elite letrada da época, abolicionistas e a camada popular compartilhavam de suas idéias, que brotavam de dentro das quitandas.
O Príncipe Dom Obá, independentemente de sua linhagem monárquica, tinha posições política bem definidas em prol da igualdade e da justiça social. Contrariou as filosofias evolucionistas e etnocêntricas da ciência com relação ao processo de miscigenação brasileira.
O príncipe ensinou ao negro a orgulhar-se de sua cor e, por não acreditar em superioridades, era "amigo dos” brancos “ e de todos aqueles que tinham a sensatez de compreender que o valor não está na cor.
Na verdade, para Dom Obá, não parece existir exatamente uma "questão racial", mas uma questão de cultura, de informação, de desconhecimento. Portanto, o seu desconsolo com esta nova África, onde ainda há quem cultive as tolices  do preconceito e da desigualdade.

"Sou conservador para conservar o que for bom e liberal para reprimir o preconceito e a injustiça social", disse Dom Obá, um Cidadão Negro Brasileiro.

(Fonte: Nações e a Cultura da Cor)

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